Arruinamentos eloquentes: memória e arquitetura hospitalar na Amazônia
DOI:
https://doi.org/10.21726/rcc.v15i2.2869Palavras-chave:
Arquitetura hospitalar, memória, amazônia brasileiraResumo
O estudo analisa duas edificações emblemáticas da região amazônica: a Santa Casa de Misericórdia de Manaus (AM) e o Hospital de Monte Dourado, localizado no estado do Pará. A Santa Casa, fundada no século XIX, é um legado das Misericórdias portuguesas implantadas no Brasil, carregando um rico simbolismo, valores culturais e tradições que refletem a história da assistência social e de saúde da época. Já o Hospital de Monte Dourado, construído em uma pequena cidade encravada na floresta amazônica, desempenhou, durante o período de crescimento industrial e exploração de recursos naturais na região, um papel crucial no atendimento à saúde da população local. Apesar de suas origens e contextos distintos, ambos os edifícios compartilham uma realidade comum: o processo de deterioração física. A Santa Casa de Misericórdia encontra-se em estado de ruína, enquanto o Hospital
enfrenta a degradação progressiva de parte de sua estrutura. Esse cenário levanta uma questão fundamental: o que o processo de arruinamento revela sobre a relação entre sociedade, arquitetura e saúde pública na Amazônia? A pesquisa, de abordagem qualitativa, fundamenta-se em revisão teórica e análise de percepção para explorar os conceitos de ruínas e memória no contexto da arquitetura hospitalar amazônica, com base nos estudos de Miranda (2016) e nas discussões de Silveira (2020). O trabalho busca lançar novos olhares sobre a importância histórica e cultural dessas edificações, refletindo sobre o papel simbólico que ocupam no imaginário social.

