O Museu de Artes e Ofícios de Belo Horizonte, Minas Gerais
da preservação do patrimônio arquitetônico industrial e ferroviário à sustentabilidade cultural
DOI:
https://doi.org/10.21726/rcc.v15i1.2838Palavras-chave:
arquitetura ferroviária, inclusão social, museus industriais, patrimônio industrial, sustentabilidade culturalResumo
O Museu de Artes e Ofícios (MAO), localizado na antiga Estação Ferroviária Central de Belo Horizonte (Minas Gerais, Brasil), constitui-se em um complexo arquitetônico urbano considerado um exemplo de preservação do patrimônio
arquitetônico industrial segundo perspectivas museísticas. Articulado com os princípios da sustentabilidade cultural, o museu representa uma iniciativa de valorização cultural e patrimonial das práticas do mundo do trabalho e dos saberes tradicionais que determinaram a história do Brasil. Instalado em um espaço originalmente destinado
à circulação ferroviária – atividade essencial ao processo de industrialização brasileira –, seu acervo reúne mais de 2 mil peças relacionadas a ofícios urbanos e rurais dos séculos XVIII ao XX, o que proporciona uma experiência educativa e sensorial aos visitantes e uma compreensão da evolução das tecnologias, dos modos de produção e da cultura material e imaterial associada ao trabalho. Esta proposta adota uma abordagem interdisciplinar, relacionando os conceitos de patrimônio industrial, práticas museológicas contemporâneas e políticas de sustentabilidade cultural. Por meio de análise documental, levantamento histórico e observação das práticas curatoriais, examina-se como o museu contribui para a preservação da memória social e para a inclusão de comunidades historicamente marginalizadas. A reutilização adaptativa dos edifícios e da infraestrutura ferroviária integra-se à rede de mobilidade urbana e reforça o papel do museu como equipamento cultural ativo e multifuncional. Além de preservar a materialidade e imaterialidade do trabalho, o MAO oferece experiências educativas, ateliês, exposições e eventos que promovem o fortalecimento da identidade local e o acesso democrático à cultura. Pretende-se discutir, ainda, a importância das políticas públicas de proteção ao patrimônio industrial e as implicações sociais e urbanas da reabilitação de espaços obsoletos. Observa-se que o caso do MAO constitui uma prática sustentável de conservação da arquitetura industrial e de preservação do patrimônio, fato que contribui significativamente para a revitalização urbana, o desenvolvimento cultural, a integração e identidade social
por meio do mundo do trabalho.

