O valor sagrado como categoria no patrimônio cultural e a experiência devocional no museu

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21726/rcc.v15i1.2835

Palavras-chave:

Patrimônio Cultural, Valores Sagrados, Fruição, Museu

Resumo

Este artigo propõe uma reflexão crítica sobre a relação entre patrimônio cultural, valor sagrado e espaços museológicos, utilizando o conceito da fruição como linha narrativa. O patrimônio cultural, em suas múltiplas expressões, constitui um campo simbólico de construção de identidades, memórias e afetos. Quando esse patrimônio se reveste de valores sagrados – como ocorre com objetos de culto, imagens devocionais, espaços litúrgicos e práticas religiosas –, ele ultrapassa os limites da materialidade e convoca modos específicos de fruição. Os objetos religiosos ocupam um lugar de destaque, não apenas por sua relevância artística ou etnográfica, mas porque são investidos de valor sagrado por grupos e comunidades que os mobilizam em práticas de fé. Nessas circunstâncias, a experiência patrimonial não se restringe à contemplação estética ou à valoração histórica, mas adentra o domínio da vivência espiritual, da devoção e do ritual. É nesse ponto de interseção entre sacralidade e institucionalização que os equipamentos culturais como museus, galerias e centros culturais se tornam territórios complexos: ao mesmo tempo em que se propõem a preservar, interpretar e divulgar bens culturais, enfrentam
o desafio de representar e comunicar dimensões intangíveis que nem sempre se submetem à lógica curatorial ou museológica tradicional. Partindo de uma abordagem interdisciplinar, articulando conceitos da antropologia, da museologia e dos estudos sobre o sagrado, buscamos compreender como os museus podem acolher formas de fruição que respeitem as cosmologias e os sentidos originários dos objetos religiosos, especialmente nas tradições cristãs populares e nas religiosidades afro-brasileiras. Ao lançar luz sobre esses dilemas, pretendemos contribuir para o debate sobre políticas patrimoniais mais sensíveis à diversidade de modos de crer, sentir e experienciar o sagrado.

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Biografia do Autor

André Luiz Borges de Ávila, Universidade Federal de Uberlândia

Doutorando em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Membro
titular pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Minas Gerais (CAU/MG) do Conselho Municipal do
Patrimônio Histórico, Artístico, Cultural e Arqueológico (COMPHAC) de Uberlândia (MG). Professor no curso
de Arquitetura e Urbanismo na Faculdade ESAMC, em Uberlândia (MG).

Luiz Carlos de Laurentiz, Universidade do Estado de Minas Gerais

Doutor em Comunicação e Cultura Contemporânea pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Professor
da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e Design da UFU e do Programa de Pós-Graduação da mesma
faculdade. Pesquisador do Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão em História e Memória (NEPEHM) da
Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), Campus Campanha. 

Denise Fernandes Geribello, Universidade de São Paulo

Pós-doutora em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (USP). Professora adjunta na
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e Design da UFU. Faz parte do Banco de Avaliadores do Sistema
Nacional de Avaliação da Educação Superior (Basis) do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC) para autorização de cursos superiores de Arquitetura e Urbanismo. 

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Publicado

2026-08-03

Como Citar

Borges de Ávila, A. L., Laurentiz, L. C. de, & Geribello, D. F. (2026). O valor sagrado como categoria no patrimônio cultural e a experiência devocional no museu . Revista Confluências Culturais , 15(1), 216–233. https://doi.org/10.21726/rcc.v15i1.2835

Edição

Seção

v. 15, n. 1: Arquitetura, museus e arquitetura de museus