Entre marés e memórias: proposta de um ecomuseu na comunidade da Praia do Ervino
DOI:
https://doi.org/10.21726/rcc.v15i1.2811Palavras-chave:
Ecomuseologia, Patrimônio Cultural, ComumResumo
O presente artigo discute a relação entre museus, poder e representações sociais, destacando que essas instituições não são neutras, mas dispositivos que produzem e legitimam narrativas históricas, conforme argumentam Foucault (2016) e Bourdieu (1989). Museus operam por meio de critérios ideológicos que de nem o que deve ser lembrado e o que é silenciado, constituindo-se como espaços de disputa simbólica e política (Chagas, 2009; Guarnieri in Bruno; Araújo; Coutinho, 2010). Com base na crítica à museologia tradicional e na valorização da Nova Museologia, especialmente o conceito de ecomuseu formulado por Varine (2000), propõe-se uma reflexão sobre práticas museológicas comprometidas com o território e com a participação comunitária. No contexto brasileiro, a museologia social e a sociomuseologia, defendidas por autores como Chagas e Gouveia (2014), Cândido (2013) e Tolentino (2016), enfatizam a importância da justiça cultural e da escuta dos sujeitos historicamente marginalizados. Com base nesse referencial, analisa-se o caso da Praia do Ervino, em São Francisco do Sul (SC) – território marcado por disputas fundiárias, transformações urbanas e apagamentos simbólicos –, como espaço propício à implantação de um ecomuseu. Ao lado de experiências como o Museu da Maré e o Museu de Favela, o ecomuseu do Ervino é pensado como dispositivo de resistência e pertencimento, que articula memória, cultura e justiça territorial em busca de um espaço de cocriação comum a toda a comunidade (Dardot; Laval, 2017).

