Sobre a identidade cultural: Stuart Hall e Eduardo Restrepo em diálogo
DOI:
https://doi.org/10.21726/rcc.v14i2.2556Palavras-chave:
Estudos Culturais, Identidade Cultural, Identidades Nacionais, Stuart Hall, Eduardo RestrepoResumo
Observaram-se neste artigo as articulações feitas por dois autores dos estudos culturais, Stuart Hall e Eduardo Restrepo, em relação ao conceito de identidade nacional. Para tanto, foram selecionados, de uma parte, materiais em que Hall discute a diáspora caribenha e, de outra, materiais em que Restrepo aborda viradas que ocorreram em seu país no fim do século XX. Por conta de suas origens e interesses de pesquisa serem distintos, o conceito manifesta-se de forma diferente em seus textos: Hall parte de uma experiência particular, ao passo que Restrepo observa, por meio de documentos, eventos da genealogia colombiana. Pode-se dizer, em suma, que o primeiro se associa à diáspora caribenha, ao passo que o segundo, ao patrimônio natural e ao caráter multiétnico e multicultural colombiano. Entende-se, entretanto, que há fatores de aproximação, os quais estão vinculados ao passado colonial comum a ambos os territórios e que, de algum modo, permanecem, ainda hoje, presentes em suas identidades nacionais. O mesmo se dá com o caráter pluriétnico de ambas as identidades, o Caribe por estar vinculado ao conceito de diáspora, sendo, portanto, o seio da hibridização, e a Colômbia por reconhecer, a partir das viradas, os grupos étnicos, incluindo-os na representação nacional, o que resulta na legitimação de natureza multiétnica. Ainda, há diálogo entre os autores, uma vez que o pensamento de Hall reflete no trabalho de Restrepo. Hall distancia-se de concepções essencialistas sobre uma diáspora que permanece imutável; Restrepo, por seu turno, critica concepções essencialistas nos discursos analisados sobre sujeitos negros e indígenas e sobre a busca por certa pureza genética.

