Saúde Única e adequação climática: transposição fronteiriça de dengue e leishmaniose nas áreas temperadas e subtropicais do Cone Sul
DOI:
https://doi.org/10.21726/abc.v13i3.2944Resumo
As mudanças na distribuição da adequação climática e a variabilidade meteorológica interanual são centrais na reconfiguração da transmissão de doenças tropicais negligenciadas (DTNs) em áreas de borda ecológica. Sintetizam-se aqui evidências sobre a intensificação recente da dengue e a expansão meridional da leishmaniose no Sul do Brasil, examinando a convergência entre adequação ambiental, infraestrutura urbana e conectividade transfronteiriça, na ótica de Saúde Única. Foram verificadas as bases de dados SciELO, Google Scholar e PubMed, utilizando descritores locais e regionais (Cone Sul), para mapear a dinâmica epidemiológica e os modelos de distribuição vetorial até agosto de 2025. Dados espaçotemporais demonstram uma erosão progressiva das barreiras térmicas históricas (invernos frios) no Sul do Brasil, com aumento da infestação por Aedes aegypti e persistência de linhagens virais ao longo do inverno. Esse padrão está acoplado à mobilidade populacional transfronteiriça e à dinâmica climática de outono, em regiões temperadas adjacentes do Cone Sul (Argentina/Uruguai), que exercem pressão bidirecional de importação. Evidências confirmam o avanço meridional de Lutzomyia longipalpis e Migonemyia migonei. Novos desafios operacionais para diagnóstico e vigilância impõem-se. A operacionalização plena da tríade de Saúde Única é fundamental para ampliar a resiliência dos sistemas de saúde e orientar políticas públicas oportunas, interoperáveis e transfronteiriças.